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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Cupuaçu

Como ler uma infocaixa de taxonomiaCupuaçu
[[Imagem:
Theobroma fruits and Theobroma grandiflorum - Spanish labels (calabaza -amphisarca).jpg
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Classificação científica
Reino:Plantae
Divisão:Magnoliophyta
Classe:Magnoliopsida
Ordem:Malvales
Família:Malvaceae
Subfamília:Sterculioideae
Género:Theobroma L.
Espécie:T. grandiflorum
Nome binomial
Theobroma grandiflorum
(Willd. ex Spreng.) K. Schum.
Cupuaçu é o fruto de uma árvore originária da Amazônia (Theobroma grandiflorum, família Malvaceae), parente próxima do cacaueiro. A árvore é conhecida como cupuaçuzeiro, cupuaçueiro ou cupu, é uma fruta típica da região norte brasileira, muito encontrada nos estados do Amapá, Pará e Amazonas. É muito usado na culinária doce, azeda e agridoce pelos nativos da Amazônia

Características[editar | editar código-fonte]

A árvore alcança uma média de 10 a 15 m de altura. Há referências de exemplares com até 20 m. As folhas são longas, medindo até 60 cm de comprimento e apresentam uma aparência ferruginosa na face inferior. As flores são grandes, de cor vermelho escura e apresentam características interessantes: são as maiores do gênero, não crescem grudadas no tronco, como nas outras variedades de theobromáceas, mas sim nos galhos. Os frutos apresentam forma esférica ou ovóide e medem até 25 cm de comprimento, tendo casca dura e lisa, de coloração castanho-escura. As sementes ficam envoltas por uma polpa branca, ácida e aromática. Os frutos surgem de janeiro a maio e são os maiores da família.
O cupuaçu contém ferro, fósforo e proteínas, necessários para a formação celular, participando dos processos químicos que permitem a continuação da vida. Vitaminas: C (ácido ascórbico), excelente para evitar gripes, infecções e até o câncer, melhorando o sistema imunológico e varrendo os radicais livres; vitaminas do complexo B ( B1, B2, B5): B1 (tiamina), antiestressante e tonificante dos músculos; B2, (riboflavina), alivia olhos cansados e ajuda na formação das hemácias; B5 (ácido pantotênico), ajuda na proteção do organismo junto aos anticorpos. Possui também taninos, que ajudam a evitar inflamações e toxinas do organismo. As fibras evitam que o organismo acumule toxinas, evitam o ressecamento fecal e combatem a prisão de ventre. O cupuaçu demora de 7 a 8 anos para começar a dar frutos.

Solo[editar | editar código-fonte]

Solos de terra firme e profundos, com boa retenção de água, fertilidade e com boa constituição física, pH entre 6,0 e 6,5 são tidos como ideais para o desenvolvido do cupuaçu.
Mudas: pode-se multiplicá-la através de enxertia e por sementes.

Polêmica sobre propriedade intelectual[editar | editar código-fonte]

Nos últimos anos, o cupuaçu esteve no centro de um debate internacional sobre biopirataria. A empresa japonesa Asahi Foods teve seu registro de uso exclusivo do nome cupuaçu cancelado na União Europeia, Japão e Estados Unidos. Esse resultado só foi alcançado após esforços conjuntos de ONG's do Brasil e o Governo brasileiro, passando por ações junto à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, contra a empresa japonesa.

Usos[editar | editar código-fonte]

Fruta cupuaçu aberta.
De sabor forte[2], o cupuaçu é comumente usado em sorvetes, sucos e vitaminas, que são muito consumidos e admirados em todo o país. Doces à base de cupuaçu são também muito admirados, tais como o creme, compotas, geleias e refrescos. Dentre outros usos importantes, acham-se o "vinho" (refresco sem álcool) e licores.
O cupuaçu é utilizado, também tradicionalmente, como ingrediente na confecção de bombons, que obtiveram reconhecimento em todo o país.
Outro uso relevante do cupuaçu é na fabricação do cupulate, que é um produto cujo sabor se assemelha ao chocolate.
Na Bolívia, é fabricada uma bebida feita do cupuaçu que é vendida para vários países da Europa.
Há diversos estudos científicos, tanto no Brasil quanto no exterior, que utilizam as sementes do cupuaçu e sua polpa para tratar doenças no trato gastrointestinal. Essas pesquisas apontam também o uso do cupuaçu como antioxidante e como base para desenvolvimento de produtos de beleza.[carece de fontes]

Manteiga de cupuaçu[editar | editar código-fonte]

A manteiga de cupuaçu é um triglicerídio que apresenta uma composição equilibrada de ácidos graxos saturados e insaturados, o que confere ao produto um baixo ponto de fusão (aproximadamente 30 °C) e aspecto de um sólido macio que se funde rapidamente ao entrar em contato com a pele. A manteiga de cupuaçu é bastante empregada na produção de cosméticos.[3] A manteiga de cupuaçu é um emoliente que proporciona um toque agradável, maciez e suavidade à pele, possibilitando a recuperação da umidade e elasticidade natural da pele principalmente em peles secas e maltratadas. Ela contém ainda fitoesteróis (especialmente beta-sitosterol) que atuam a nível celular regulando o equilíbrio e a atividade dos lipídeos da camada superficial da pele. Os fitoesteróis tem sido utilizados topicamente no tratamento de dermatites e afecções por estimular o processo de cicatrização.[4]
Manteiga de cupuaçu
Além do emprego alimentício e cosmético, novos estudos tem indicado novas funcionalidades da composição química da manteiga de cupuaçu. Na indústria oleoquímicas a manteiga de cupuaçu está sendo usada para a produção de lubrificantes sintéticos.[5]. Além disso, descobriu-se seu emprego no desenvolvimento de um silicone usado para amaciantes de roupa biodegradável.[3][4][5]

Especificação da manteiga virgem de Cupuaçu[6][editar | editar código-fonte]

CaracterísticaUnidadeApresentação
Aparência (25Cº)----Sólido
Cor----Branco para beje
Odor----Característico
Índice de acidezmgKOH/g< 20,0
Índice de peroxido10 meq O2/kg< 10,0
Índice de iodogI2/100g40 - 50
Índice de saponificaçãomgKOH/g180 - 190
Densidade 25 °C g/ml-
Índice de refração (40 °C) -1,4563
Materia insaponificável (bioativos)%2 -3
Tocopherolsmg/kg128
Sterols totaismg/kg245
Ponto de fusão25 - 35
Absorção de água%200 min

Composição dos Ácidos graxos[6][editar | editar código-fonte]

Ácido palmítico% peso7 – 12
Ácido esteárico% peso28 - 35
Ácido oléico% peso40 - 45
Ácido linolênico% peso3 – 7
Ácido araquídico% peso8 – 13
Ácido behênico% peso1 – 2
Outros% peso1 - 5
Saturado%55
Insaturado%45
MICROBIOLOGIA
Bactérias totaisG<100 / g
Fungos e leveduras G<100 / g

sábado, 26 de novembro de 2016

Cupuaçu




Cupuaçu (Theobroma grandiflorum)

Fruta da Amazônia, o cupuaçu, protagoniza disputa entre Brasil e Japão.


No ano 2000, a empresa japonesa Asahi Foods fez um pedido de patente do cupuaçu no Japão e na Europa. E como se não bastasse, registrou a marca "cupulate" (tipo de chocolate feito com amêndoas de cupuaçu, desenvolvido no Brasil) como sua propriedade. O fato gerou uma grande polêmica. Passados quase 4 anos, o departamento do governo japonês responsável pelo registro de patentes recusou o pedido da empresa Asahi Foods para o processo de obtenção do cupulate. O órgão acatou o pedido da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) reivindicando a autoria do processo e reconheceu as provas apresentadas pelos brasileiros.

O cupulate é similar ao chocolate produzido com cacau e foi criado por pesquisadores da Embrapa em Belém (PA) na década de 1980. O primeiro pedido de patente foi feito em 1990. Mas, com a nova lei brasileira de patentes, de 1996, a Embrapa decidiu fazer um outro pedido de privilégio da invenção, concedido em março de 2003. Segundo a Embrapa, durante todo esse tempo, foi dada a devida publicidade à invenção por meio de revistas científicas. Entretanto, em 2000, a empresa japonesa Asahi Foods fez pedido de patente do produto no Japão e na Europa. Além disso, registrou a marca cupulate como sua propriedade.

No Brasil, a coisa não ficou só na polêmica. Organizações que atuam em defesa da Amazônia lançaram até um vídeo de protesto contra a patente do cupuaçu. O site do Greenpeace (www.greenpeace.org.br) divulga um artigo no qual a indignação fica clara. Como diz o artigo, "a Amazônia brasileira possui uma biodiversidade tão grande que é muito pouco conhecida. É inaceitável que nosso patrimônio continue a ser explorado sem que os benefícios sejam revertidos para as populações tradicionais, que mantém a integridade da floresta. É realmente mais uma prova de que o Brasil precisa dar mais atenção à sua biodiversidade. Se já não bastasse a biopirataria...".

E agora vamos conhecer melhor o elemento principal desta polêmica.
Com vocês, o cupuaçu!

Nome popular da árvore: cupu; cupuaçueiro; cupuaçuzeiro
Nome popular do fruto: cupuaçu 
Nome científico: Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) Schum 
Família botânica: Sterculiaceae Origem: Brasil - Amazonas 
Espécies Semelhantes: Theobroma subincanum, Theobroma spruceanum, Theobroma atrorubens, Theobroma bicolor, Theobroma obovatum. 
Características: A árvore alcança uma média de 10 a 15m de altura. Há referências de exemplares com até 20 m. 
As folhas são longas, medindo até 60 cm de comprimento e apresentam uma aparência ferruginosa na face inferior. 
As flores são grandes, de cor vermelho-escura e apresentam características interessantes: são as maiores do gênero, não crescem grudadas no tronco, como nas outras variedades de theobromáceas, mas sim nos galhos. 
Os frutos apresentam forma esférica ou ovóide e medem até 25 cm de comprimento. 
A casca é dura e lisa, de coloração castanho-escura. As sementes ficam envoltas por uma polpa branca, ácida e aromática. 
Os frutos surgem de janeiro a maio e são os maiores da família.

Cultivo

Clima ideal: Temperatura média anual entre 22 e 27ºC. 
Solo: Solos de terra firme e profundos, com boa retenção de água, fertilidade e com boa constituição física, pH entre 6,0 e 6,5. 
Mudas: A planta pode ser multiplicada por enxertia e por sementes.

A árvore que dá o cupuaçu é nativa da parte oriental da Amazônia. A atualmente a espécie é encontrada em toda a bacia amazônica do Brasil e dos países vizinhos. Nestas regiões, não importa se nas capitais, cidades ou vilarejos: quase todas as casas possuem um ou mais pés de cupuaçu em seu pomar. O cupuaçu representou, tanto para as populações indígenas quanto para os animais, uma fonte primária de alimento na floresta Amazônica. Nas tribos indígenas, o suco de cupuaçu, depois de ser abençoado por um pajé, era utilizado para facilitar nascimentos difíceis. As sementes do cupuaçu são utilizadas por indígenas até hoje para aliviar dores abdominais. A manteiga preparada a partir das sementes é utilizada em queimaduras, para acalmar as dores. A casca do fruto apresenta razoáveis teores de potássio ferro, manganês e outros nutrientes, e é usada, em mistura com outros resíduos da agroindústria de frutas, como adubo orgânico.

Com a polpa do cupuaçu é possível preparar diversos tipos de doces: sucos, sorvetes, cremes, gelatinas, espumas, pudins, tortas, bolos, pavês, biscoitos, compotas, geléias e o agora famoso e polêmico "cupulate".

O cupuaçu é um parente muito próximo do cacau (ambos pertencem ao gênero Theobroma - veja também Cacaueiro). Embora sejam diferentes externamente, são as ricas e gordurosas sementes do cupuaçu que aproximam os dois frutos: delas é possível extrair uma pasta semelhante àquela com que se produz o chocolate e a manteiga de cacau. Para cada tonelada de sementes frescas obtém-se 180 kg de cupulate e 135 kg de manteiga, que é usada na formulação do produto em tabletes. A gordura extraída das sementes tem larga aplicação na indústria de cosméticos.

A Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP desenvolveu pesquisa com a fabricação do chocolate a partir do cupuaçu. A professora Suzana Caetano da Silva Lannes, do Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica, responsável pela pesquisa, trabalha com o desenvolvimento do chocolate de cupuaçu há seis anos. "Esse é um produto com grande potencial, pois o preço da gordura do cupuaçu, que entra na formulação do chocolate, custa cerca de um terço da gordura do cacau", afirma.

Além da vantagem econômica, o "chocolate" de cupuaçu também é mais saudável. Segundo a pesquisadora, essa fruta tem o teor de teobromina, substância com efeitos estimulantes como os da cafeína, bem menores que os do cacau. A diferença entre os teores das duas frutas gira em torno de 85%.


Mais informações sobre o cultivo podem se obtidas nos sites

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