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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

inhame

 Inhame-chinês

Inhame-chinês - imagem original: Amada44 - Licença Creative Commons

Existem centenas de espécies no gênero Dioscorea, das quais várias espécies são plantadas para a obtenção de tubérculos comestíveis ou para a obtenção de fitoquímicos para a indústria farmacêutica. As espécies mais cultivadas para uso como alimento são:

Dioscorea rotundata de tubérculos com polpa branca e Dioscorea cayenensis de tubérculos com polpa amarela ou creme claro, nativas da África ocidental. São consideradas duas espécies separadas por alguns taxonomistas e consideradas como uma única espécie por outros. São os inhames mais cultivados no mundo, principalmente na Nigéria, que é o maior produtor mundial de inhame. Seus tubérculos são aproximadamente cilíndricos, com película externa marrom, e com peso indo de 2 Kg a 5 Kg, mas podendo chegar a 26 Kg. Existem mais de duas centenas de cultivares destas espécies.

Dioscorea alata
Folhagem de inhame da espécie Dioscorea alata - imagem original: കാക്കര - Licença Creative Commons

Dioscorea alata - tubérculos com polpa geralmente branca, mas com cultivares de cor creme claro e roxa. Planta nativa do sudeste da Ásia, este é o inhame com a maior distribuição geográfica de plantio. Seu tubérculo geralmente pesa entre 5 Kg e 10 Kg, mas pode chegar a pesar 60 Kg.

Dioscorea bulbifera
Folhagem de inhame da espécie Dioscorea bulbifera - imagem original: Bree Mc - Licença Creative Commons

Dioscorea bulbifera - conhecido como inhame-do-ar, pois é cultivado principalmente para a obtenção de tubérculos aéreos que surgem nas axilas das folhas, e que pesam de 0,5 Kg a 1,2 Kg (outras espécies de Dioscorea também produzem tubérculos nas axilas foliares, mas estes geralmente não são tão apreciados e não têm o tamanho dos tubérculos aéreos de Dioscorea bulbifera). A planta também produz um tubérculo subterrâneo. Há variedades cultivadas, que são utilizadas na alimentação quando cozidas ou assadas, e variedades selvagens, que podem ser tóxicas.

Dioscorea trifida
Folhagem de inhame da espécie Dioscorea trifida. - imagem original: Mvh57 - Licença Creative Commons

Dioscorea trifida - nativa da América do Sul, produz tubérculos menores, com comprimento de 15 a 20 cm, com formato irregular e com polpa de cor branca, creme, rosa ou roxa. Alguns nomes populares de cultivares deste inhame são cará-doce e cará-mimoso.

Dioscorea opposita
Folhagem de inhame da espécie Dioscorea opposita, o inhame chinês. Note que a planta também apresenta pequenos tubérculos aéreos - imagem original: Aomorikuma - Licença Creative Commons

Dioscorea opposita, com sinônimos Dioscorea polystachya, Dioscorea batatas e Dioscorea oppositifolia - nativa da China, é cultivada principalmente na China, Coréia, Japão, Vietnã e Filipinas. O inhame chinês tem a polpa branca e pode ser consumido cru depois de ficar imerso em uma solução de água e vinagre.

Dioscorea esculenta
Folhagem de inhame da espécie Dioscorea esculenta. - imagem original: H. Zell - Licença Creative Commons

Dioscorea esculenta - nativa do sudeste da Ásia (Indochina), seu tubérculo é pequeno, oval, com até 20 cm de comprimento e 6 a 8 cm de diâmetro, pesando geralmente de 250 g a 1Kg. Cada planta produz vários tubérculos (5 a 20).

Dioscorea dumetorum - nativa da África ocidental, produz um ou mais tubérculos de polpa branca ou amarelada, de sabor amargo. Para uso na alimentação, seus tubérculos precisam ser cortados e deixados de molho na água, e depois precisam ser bem cozidos. As plantas selvagens desta espécie são muito tóxicas.Algumas das espécies acima e outras espécies de Dioscorea podem ser cultivadas para a obtenção de sapogeninas esteroidais, que são fitoquímicos utilizados na indústria farmacêutica para a produção de hormônios esteroides (progesterona e cortisona, por exemplo).

Clima

A maioria das espécies de inhame são plantas de clima quente e úmido, mas algumas espécies sobrevivem bem em clima ameno e podem suportar até geadas leves.

Espécies de clima quente e úmido: D. rotundata, Dioscorea cayenensis, Dioscorea alata, Dioscorea bulbifera, Dioscorea trifida, Dioscorea esculenta, Dioscorea dumetorum.

Espécie de clima ameno: Dioscorea opposita.

O inhame é geralmente plantado no início da estação chuvosa em regiões de clima quente e no início da primavera em regiões de inverno frio.

Luminosidade

O inhame necessita de luz solar direta pelo menos por algumas horas diariamente. Algumas espécies toleram crescer sombreadas, mas a produtividade pode ser menor.

Solo

Cultive em solo bem drenado, leve, profundo, fértil e rico em matéria orgânica. Solos compactados devem ser evitados, pois dificultam a formação dos tubérculos.

Irrigação

Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido, sem que permaneça encharcado. O inhame é resistente à seca, mas não cresce bem quando falta água.

Plantio

O plantio é feito com pequenos tubérculos que surgem próximos ao tubérculo principal em algumas espécies de inhame, tubérculos inteiros e pedaços de tubérculos (geralmente divide-se o tubérculo em três partes). Nas espécies que geram tubérculos aéreos nas axilas foliares, estes podem ser usados para o plantio. O inhame também pode ser cultivado a partir de sementes, embora isto seja menos comum. Cultivares de algumas espécies raramente florescem e produzem sementes quando cultivadas fora de seu local de origem.

O mais recomendado é o plantio dos tubérculos em montes de terra (covas altas ou matumbos) e em camalhões, embora também possam ser plantados no terreno plano. O espaçamento recomendado entre as plantas varia bastante com a espécie, cultivar, região e método de plantio, indo geralmente de 0,6 m x 0,6 m a 1,25 m x 1 m.

Plantação de inhame
Plantação de inhame Dioscorea opposita - imagem original: Hasec - Licença Creative Commons

Tratos culturais

O inhame é uma planta trepadeira de crescimento vigoroso. Pode-se colocar varas de 1,2 m a mais de 2,5 m de altura para o tutoramento das plantas, o que dá os melhores resultados em produtividade, mas também é possível não utilizar nenhum tutoramento, deixando que as plantas cresçam rasteiras sobre o solo.

Retire plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos nos quatro primeiros meses de cultivo.Várias plantas do gênero Dioscorea, incluindo algumas espécies cultivadas, são plantas invasoras que podem dominar extensas áreas, cobrindo até mesmo grandes árvores.

Inhame-roxo - Tubérculo de Dioscorea alata
Inhame-roxo da espécie Dioscorea alata - imagem original: Remi Tournebize - Licença Creative Commons

Colheita

A colheita do inhame ocorre normalmente de 5 a 12 meses depois do plantio. A colheita também pode ocorrer relativamente mais cedo em regiões de inverno frio e mais tarde em regiões quentes.

Os tubérculos devem ser desenterrados com cuidado, sem que sejam feitos ferimentos neles, possibilitando assim a armazenagem por maior período de tempo (alguns meses).

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Inhame


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Inhame (Dioscorea trifida) no mercado de Brixton, Londres.
Inhame, diferente da foto acima que representa o cará, é o nome comum de plantas do gênero Dioscorea. Em alguns locais, é comum referir-se as seguintes espécies Alocasia, Colocasia (Taro), Xanthosoma, e Ipomoea (batata-doce), também como inhame[1][2][3][4]. Seus tubérculos também são chamados de inhame. Essas plantas são muito cultivadas na África, América Latina, Ásia, Oceania e nas ilhas da Macaronésia desempenhando um papel importante na alimentação dessas regiões.
O cará, caranambu, caratinga, cará-de-folha-colorida, cará-liso, cará-de-pele-branca ou inhame-cará é um tubérculo cultivável pertencente a várias espécies da família das dioscoreáceas.[5] O padre José de Anchieta (1534-1597) menciona o cará em seus escritos, louvando seus valores. Como hortaliça, o cará é um alimento energético. Também se destaca como fonte de vitaminas do complexo B.
Na sua carta sobre o descobrimento do Brasil, o escrivão Pero Vaz de Caminha chamou a mandioca de "inhame": "Muito inhame e outras sementes que na terra há e eles comem"

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O vocábulo "inhame" origina-se das línguas do oeste da África. A palavra yam, do inglês, vem do uolofe nyam, que significa "a amostra" ou "sabor"; em outras línguas africanas, a palavra utilizada para inhame também pode significar "comer", como, por exemplo, yamyam e nyama, em hauçá.
Já a palavra "cará" vem de termo tupi ka'rá.[7] "Caratinga" vem do termo tupi aka'ratin'ga, que significa "cará branco".[8]

Espécies e denominações regionais[editar | editar código-fonte]

O significado específico desses nomes varia de região para região. A confusão é devida ao fato de que essas plantas produzem "batatas" comestíveis que são cozidas de modo semelhante.
Algumas espécies do gênero Dioscorea (família Dioscoreaceae) e seus tubérculos são geralmente chamadas de "inhame" no nordeste e sul do Brasil, incluindo estado de Paraná; mas são chamadas de "cará" no sudeste, especialmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, sobretudo nas capitais e em textos técnicos[4]. Nos estados da Paraíba e Pernambuco usa-se "inhame" para as espécies de Dioscorea que produzem túberos grandes, como o inhame-da-costa (Dioscorea cayennensis) e o inhame-são-tomé (Dioscorea alata L.), e "cará" para as espécies que produzem túberos pequenas (como cará nambú)[4]. Algumas espécies dos gêneros Alocasia e Xanthosoma (família Araceae) têm nomenclatura oposta: "inhame" no sudeste, e "cará" no nordeste.

Taro[editar | editar código-fonte]

Colocasia esculenta: taro, coco, inhame-coco, cará-coco.
Na Madeira, chama-se de "inhame", mas também é conhecido por taro (Colocasia esculenta). É extensamente cultivado nestas ilhas (Madeira e Porto Santo) e foi durante séculos juntamente com a batata e o trigo, a base da alimentação do povo Madeirense.

Batata-doce[editar | editar código-fonte]

Ipomoea batatas: batata-doce, inhame-doce ou cará-doce
A batata-doce, tubérculo comestível produzido pelas plantas do gênero Ipomoea, também é chamada, em alguns lugares do Brasil, de inhame, inhame-doce ou cará-doce embora esses nomes sejam mais corretamente usados para a espécie Dioscorea trifida.

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