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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Oliveira

Oliveira

Como ler uma infocaixa de taxonomiaOliveira
Olea europaea
Olea europaea
Classificação científica
Reino:Plantae
Divisão:Magnoliophyta
Classe:Magnoliopsida
Ordem:Lamiales
Família:Oleaceae
Género:Olea
Espécie:O. europaea
Nome binomial
Olea europea
Lineu
oliveira (nome científico Olea europaea L.) é uma árvore da família das oleáceas. A oliveira produz azeitonas, que são usadas para fazer azeite. Tem pouca altura e tronco retorcido, sendo nativas da parte oriental do mar Mediterrâneo, bem como do norte do atual Irã no extremo sul do mar Cáspio. A árvore e seus frutos dão seu nome à família de plantas que também incluem espécies como o lilás e o jasmim. Seu nome provém do latim oliva, que por sua vez vem do grego λαία (eléa), em última análise a partir de grego micênico e-ra-wa (elaiva) ou óleo. De seus frutos, as azeitonas, os humanos no final do período neolítico aprenderam a extrair o azeite. Este óleo era empregado como unguentocombustível ou na alimentação, e por todas estas utilidades, tornou-se uma árvore venerada por diversos povos.
Civilização Minoica, que floresceu na ilha de Creta até 1 500 a.C., prosperou com o comércio do azeite, que primeiro aprendeu a cultivar. Já os gregos, que possivelmente herdaram as técnicas de cultivo da oliveira dos minoicos, associavam a árvore à força e à vida. A oliveira é também citada na Bíblia em várias passagens, tanto a árvore, como seus frutos.
A longevidade das oliveiras é grande. Estima-se que algumas das oliveiras presentes em Israel tenham mais de 2 500 anos de idade. Em Santa Iria de Azoia, Portugal, há uma oliveira com 2 850 anos.

Origem[editar | editar código-fonte]

Distribuição potencial de oliveiras na bacia do Mediterrâneo. A oliveira é um indicador biológico da região do Mediterrâneo. (Oteros, 2014)[1]
Na Grécia Antiga já se falava das oliveiras. Conta-se que durante as disputas pelas terras onde hoje se encontra a cidade de AtenasPosidão teria feito surgir um belo e forte cavalo com um golpe de seu tridente. A deusa Palas Atena teria então trazido uma oliveira capaz de produzir óleo para iluminar a noite e suavizar a dor dos feridos, fornecendo alimento rico em sabor e energia. Do outro lado do Mediterrâneo, os italianos contam que Rômulo e Remo, descendentes dos deuses fundadores de Roma viram a luz do dia pela primeira vez sob os galhos de uma oliveira.
O fato concreto é que vestígios fossilizados de oliveiras são encontrados na Itália, no Norte da África, em pinturas nas rochas das montanhas do Saara Central, com idade de seis mil a sete mil anos, entre o quinto e segundo milênio a.C. múmias da XX dinastia egípcia foram encontradas vestidas com granalhas trançadas de oliveira e em Creta, registros foram encontrados em relevos e relíquias da época minoica (2 500 a.C.).
Os estudiosos de história concluem que o azeite, óleo advindo das oliveiras, faz parte da alimentação humana há muito tempo. Concluem que a oliveira é originada do sul do Cáucaso, das planícies altas do Irã e do litoral mediterrâneo da Síria e Palestina, expandindo posteriormente para o restante do Mediterrâneo.

Descrição botânica[editar | editar código-fonte]

Raiz[editar | editar código-fonte]

As raízes poderosas e compridas da Oliveira, podem chegar a uma profundidade de seis metros. Sendo assim, a oliveira tem grande facilidade na absorção de água e nutrientes do solo. A sua raiz é subterrânea e fasciculada.

Caule[editar | editar código-fonte]

A madeira de crescimento lento da árvore é rica, com anéis cinzento-esverdeados e curtos. A árvore (dependendo da variedade) chega aos 20 metros de altura. As árvores selvagens são mais baixas que as plantadas. As oliveiras em olivais são podadas para se manterem pequenas de forma a que a colheita das azeitonas seja facilitada. A oliveira necessita de muito tempo para crescer mas, no entanto, pode viver muitas centenas de anos. Os exemplares mais antigos que se conhecem na Europa e possivelmente no mundo encontram-se em Portugal: uma oliveira no Algarve, perto da cidade de Tavira, tem mais de 2 000 anos e julga-se que foram os fenícios que a teriam trazido da Mesopotâmia. As outras, vindas do Alqueva, remontam a 300 a.C.. Há outra oliveira milenária em Santa Iria de AzoiaLoures com idade estimada em 2 850 anos. Está certificada e pode ser visitada com muita facilidade, pois fica dentro dum pequeno quintal junto à estrada. Em TreviItália, há uma oliveira com cerca de 1 700 anos, tal como um exemplar em GetsemaniIsrael.

Folha[editar | editar código-fonte]

A oliveira é uma planta de folha persistente, o que significa que nunca perde totalmente a sua folha; em vez disso, as folhas mais velhas vão caindo ao longo do ano. As folhas pequenas, simples e luzidias são verde acinzentadas na frente e de um cinzento prateado e brilhante por trás. Estas são estreitas, pontiagudas e simples. Na parte de trás têm pequenos pelos, que protegem a árvore da desidratação recapturando a água e conduzindo-a de novo para a folha.
A folha depois de seca pode ser utilizada para chá, sendo rica em nutrientes como: potássio, magnésio, manganês, fósforo, selênio, cobre e zinco. Apresentam uma alta concentração de ácidos graxos, fibra alimentar, proteínas, minerais, agentes bioflavonóides e antioxidantes.

Floração[editar | editar código-fonte]

Evolução fenológico de floração de oliva. BBCH: a-50, B-51, C-54, d-57; f-65; g-67; h-68 (J. Oteros)[2][1]
Flor da oliveira.
Dependendo da área em que se encontram, as oliveiras florescem entre o fim de Abril e o princípio de Junho em cada inflorescência encontram-se entre 10 e 40 flores.
As flores brancas ou amarelas são hermafroditas, mas podem no entanto ser funcionalmente monossexuadas. A flor compõe-se de 4 sépalas e 3 pétalas crescidas.
Sendo sujeita a falta de água ou de nutrientes cerca de 6 semanas antes da flor, a colheita é reduzida uma vez que o número de flores é reduzido e estas não produzirão fruto. A maioria das espécies polinizam-se a si próprias, apesar da polinização à distância produzir rendimentos maiores. Outros tipos exigem a polinização à distância e necessitam do pólen de um exemplar diferente. As flores são polinizadas pelo vento.

Fruto[editar | editar código-fonte]

A partir da flor, forma-se depois da polinização o fruto: a azeitona. É um fruto com caroço revestido de polpa mole. A cor da azeitona antes de estar madura é o verde, e depois de estar madura torna-se preta ou violeta-acastanhada. A árvore atinge o ponto de produção óptimo com cerca de vinte anos. A composição média de uma azeitona é água (50%), azeite (22%), carboidratos (19%), celulose (fibras) (5,8%) e proteínas (1,6%).

Distribuição[editar | editar código-fonte]

oliveira-brava (zambujeiro) existe numa área geograficamente disjunta; tem uma ocorrência natural vasta em zonas não conectadas entre si: área mediterrânica, médio oriente e África Austral. Daí é também bastante diversa a área das actuais variedades culturais.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

A oliveira é um elemento importante da vegetação mediterrânea e da agricultura desta região.
A oliveira prospera no clima mediterrânico, com temperaturas médias anuais entre os 15 °C e os 20 °C entre 500 e 700 mm de precipitação anual, sendo necessários, no mínimo, 200 mm.

Maior olival[editar | editar código-fonte]

O maior olival do mundo é o da empresa Sovena, produtora de azeite do grupo português Mello. São 9 700 hectares. A sede do grupo é em Ferreira do AlentejoBejaAlentejo e seu mais famosos azeites são Andorinha e Oliveira da Serra, de Portugal; Soleada - Espanha; Olivari - Tunísia. A maior parte de seus olivais são superintensivos, com 1600 oliveiras por hectare.[3]

Plantio e cultivo de oliveiras no Brasil[editar | editar código-fonte]

Illustration Olea europaea0.jpg
O mais antigo registro de plantio de oliveiras no Brasil que se teve notícia foi em 1800, quando os imigrantes açorianos trouxeram as primeiras mudas de oliveiras da Europa para o Brasil e foram plantadas e cultivadas com sucesso no Rio Grande do Sul, porém em Minas Gerais existe o cultivo na cidade de Monte Verde, que é uma das mais frias do estado, e do país. Entretanto, a cidade de Maria da Fé, sul de Minas Gerais, tem se destacado no plantio e cultura, com diversos olivais instalados. A empresa Olivas do Sul, fundada em 2006 na cidade de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, é a responsável pelo primeiro azeite de oliva extravirgem produzido e comercializado no Brasil; por outro lado, no período de 1950 a 1960, o português Antonio de Oliveita Pires produziu um excelente azeite de oliva de oliveiras plantadas em sua propriedade em Campos do Jordão, atestada como de excelente qualidade pela análise do Instituto Adolfo Lutz de São Paulo.

A oliveira em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, a referência à oliveira é bastante antiga, datando do tempo dos Visigodos (séc. VII), que no âmbito das leis de protecção à agricultura aplicavam multas superiores para quem arrancasse as oliveiras, do que às restantes árvores. Foram os árabes aquando da conquista da Península Ibérica no século VIII d.C., os grandes impulsionadores do cultivo e exploração da olivicultura.[carece de fontes] Aperfeiçoaram técnicas de produção e classificaram a oliveira acima das outras árvores em termos de valor.
O maior desenvolvimento da cultura da oliveira verifica-se durante a Reconquista (séculos XII e XIII) como demonstram os forais de várias localidades da EstremaduraAlentejo e Algarve. No que diz respeito à Beira Baixa as referencias à plantação de oliveiras datam do século XIV, sendo as regiões de Coimbra e Évora as que apresentavam maior cultivo. No século XVI o cultivo da oliveira aumentou na sequência da utilização do azeite na iluminação. Neste século vendia-se o azeite produzido dentro do reino e exportava-se com destino aos mercados do Norte da Europa e para o ultramar, em especial para a Índia

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Oliveira

 Olea europaea, Oliva, Azeitona,
A oliveira é uma árvore perenifólia, longeva, frutífera e ornamental, originária da região do Mediterrâneo. Dela obtemos as azeitonas e o precioso azeite de oliva, que o homem aprendeu a extrair no Período Neolítico, há cerca de 10.000 a.C, para usar como alimento, combustível e unguento, tornando a oliveira uma árvore venerada por muitos povos. Elas são árvores de extrema longevidade, alcançando 2.500 anos de idade.
Seu porte é pequeno, raramente ultrapassando 10 metros de altura, com copa ampla, arredondada e o tronco grosso, irregular, cinzento e bastante tortuoso e retorcido, lembrando nossas árvores do cerrado. As raízes são fortes e podem atingir 6 metros de profundidade. As folhas são elípticas a lanceoladas, acumidadas, opostas, de cor verde-acinzentada na face superior e prateadas na face inferior, o que confere ao conjunto da folhagem um aspecto azulado. As inflorescências surgem na primavera, nas axilas foliares, e são do tipo panícula, com numerosas flores de cor branco creme, com suave perfume. As flores são hermafroditas e podem se autopolinizar na maioria das variedades. A polinização é feita pelo vento. No outono se formam as azeitonas, um fruto do tipo drupa, elipsóide, com polpa carnosa, suculenta e que contém uma semente, o caroço. A diferença principal entre as azeitonas verdes ou pretas, é o tempo de colheita, sendo que a verde é colhida imatura e a preta, quando já está madura, o que gera sabores bem distintos na conserva. Há centenas de variedades de oliveiras, com diferentes qualidades adaptativas aos locais de cultivo, frutos maiores ou menores, entre outras características.
Detalhe do fruto. Foto de Forest & Kim Starr
Detalhe do fruto. Foto de Forest & Kim Starr
No paisagismo brasileiro as oliveiras tem popularização recente, embora em outros países já sejam utilizadas há milênios. São muito versáteis, rústicas e tem baixa manutenção. Podem ser aproveitadas isoladas, como destaque, ou na formação de renques e bosques. Tanto o tronco com aspecto envelhecido, como a copa azulada, criam bastante interesse, isso sem mencionar o efeito bonito da frutificação. Também se prestam a topiarias e uso em vasos. Atualmente, devido à sua grande resistência ao transplante, muitas oliveiras centenárias de antigas plantações, estão sendo utilizadas como ornamentais em jardins, geralmente em posição de destaque, evidenciando as formas escultóricas dos troncos moldados pelo tempo. O crescimento da oliveira é bastante lento, o que torna o plantio de mudas maiores, vantajoso, quando se deseja obter efeito no jardim rapidamente. Devido a este fato, os exemplares maiores alcançam preços elevados no mercado. É bastante utilizada também na prática de bonsai. Curiosidade: As oliveiras são as árvores frutíferas mais cultivadas no mundo todo.
Detalhe das flores. Foto de Forest & Kim Starr
Detalhe das flores. Foto de Forest & Kim Starr
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solos drenáveis, pobres ou férteis, e irrigados no primeiro ano de implantação. A oliveira é muito rústica e resiste a longos períodos de estiagem, convém no entanto, fazerirrigação suplementar se o período seco ocorrer durante a floração, evitando-se assim uma queda brusca na produção de azeitonas. Tolera uma ampla faixa climática, vegetando bem em climas temperados ou tropicais. As geadas, no entanto, acabam prejudicando a frutificação. Resiste a podas drásticas, regenerando-se com facilidade. Em pomares produtivos é importante fazer podas de formação, limpeza e renovação da folhagem, aumentando assim a produtividade, o viço e melhorando a colheita. Pode ser plantado em áreas litorâneas, pois tolera ventos fortes e a salinidade. O ponto fraco da oliveira é o excesso de umidade. Solos suscetíveis a encharcamentos provocam o rápido declínio da árvore, que fica frágil e sensível a doenças fúngicas. Multiplica-se facilmente por estaquia de ramos semilenhosos, preferencialmente desprovidos de folhas, postos a enraizar no fim do verão. Propaga-se também por alporquia, enxertia e por sementes.

Medicinal:

  • Indicações: Asma, Dores, Constipação, Enterite, Erupções cutâneas, Estomatite, Gastrite, Colite, Gota, Hipertensão arterial, Cálculos renais, Queimaduras, Intoxicações, Hipercolesterolemia, Reumatismo, Verminoses
  • Propriedades: adstringente, anti-reumática, anti-séptica, antiálgica, antiasmática, antiinflamatória, antilítica, broncodilatadora, colagoga, depurativa, diurética, emoliente, espasmolítica, hipocolesterogênica, hipoglicemiante, hipotensora, laxante, aromática, nutritiva, vermífuga, hidratante
  • Partes Utilizadas: Frutos, Folhas, Óleo

sábado, 26 de novembro de 2016

Oliveira

a árvore sagrada
(Olea europaea)


Por: Rose Aielo Blanco*

"Esperou ainda sete outros dias e soltou de novo a pomba fora da arca.
À tarde, ela voltou a ele, e eis que tinha no bico um ramo de oliveira!
Assim Noé ficou sabendo que as águas haviam baixado na terra". Gênesis, 8: 10-11

Acredita-se que a oliveira seja originária da Ásia Menor. Nessa região teriam sido descobertos vestígios de primitivas instalações de extração de azeite. Em toda a região do Mediterrâneo, trabalhos arqueológicos encontraram fósseis de folhas de oliveira datados dos períodos Paleolítico e Neolítico.

A oliveira (Olea europaea L.) é considerada uma árvore sagrada. Ela é citada em várias passagens da Bíblia. No Gênesis há referências a um óleo extraído do seu fruto. Na passagem sobre a arca de Noé, a oliveira representa o recomeço, o início de um novo tempo para a humanidade:

... E choveu, choveu e choveu. A água levantou a arca do chão. Flutuando, ela subiu acima das árvores. Depois, acima das mais altas montanhas. A chuva caiu por 40 dias e 40 noites. Os animais se sentiam seguros dentro da arca enquanto ela era levada pelas águas. Finalmente a chuva parou. As águas acalmaram. A luz do sol brilhou e Noé abriu uma janela. "Vá, disse para o pombo. Vá por aí e procure por terra". O pombo voltou mais tarde, cansado e triste. Noé deixou-o descansar por uma semana. Então o soltou novamente. Desta vez o pombo voltou todo alegre, com um ramo de oliveira no bico. "Terra!", gritou Noé.

Havia na Terra Santa muitas oliveiras e junto com as vinhas eram fonte de riqueza. Naquela época, para colher as azeitonas costumava-se bater ou sacudir a árvore. Já o azeite era extraído esmagando-se ou pisando o fruto. A oliveira fazia parte da vida das pessoas de tal forma, que era uma referência constante. O homem justo, por exemplo, era comparado à oliveira, em razão da força e da cor de suas folhas e também por sua abundância, sendo que os seus filhos eram descritos como ramos de oliveira.
A principal fonte de azeite entre os judeus era a oliveira. Usava-se o azeite na consagração dos sacerdotes e também na purificação dos doentes. Costumava-se passar o azeite no corpo depois do banho ou antes de um evento festivo. O hábito só era suspenso nos períodos de luto ou durante alguma adversidade.

Nos banquetes dos egípcios havia o costume de ungir os convidados com azeite: os criados ungiam a cabeça de cada um no momento em que tomavam o seu lugar à mesa.

O azeite era usado externamente ou internamente como medicamento. A abundância de azeite indicava alegria, ao passo que a falta denunciava tristeza ou humilhação. A oliveira simbolizava sabedoria, paz, abundância e glória. Seus frutos, folhas e madeira eram de grande utilidade e tinham muito valor simbólico. No templo de Salomão, por exemplo, as portas eram talhadas em troncos de oliveira e era com sua madeira que os egípcios faziam os móveis das câmaras mortuárias dos faraós. O azeite extraído do fruto da oliveira era usado como fonte de luz artificial em candeeiros.

Na Grécia a oliveira era considerada uma dádiva da deusa Atena e simbolizava a liberdade e a pureza. Com seus ramos, os gregos trançavam as grinaldas e coroas para os atletas vencedores.

E é claro que a mitologia grega reservou um espaço especial para a oliveira, relatando o seu nascimento: Poseidon, o deus dos mares, e Atena, a deusa da sabedoria, disputavam a guarda de uma cidade prestes a ser fundada. Para encerrar a disputa, Zeus, o maior dos deuses, resolveu que a cidade seria consagrada a quem apresentasse a invenção mais proveitosa a seus habitantes. Poseidon criou o cavalo - animal útil para o transporte e a agricultura. Atena fez brotar a oliveira - uma árvore de aparência delicada, mas capaz de render frutos valiosos, que alimentavam e curavam. Zeus ficou tão maravilhado com a invenção da deusa, que batizou a nova cidade com o nome "Atenas".

Sófocles, poeta e dramaturgo grego, não escondia sua admiração pela árvore, que julgava quase "imortal": para ele, a oliveira era a "árvore invencível que nasce de si mesma". A mitológica "imortalidade" da oliveira, tão enaltecida por gregos e romanos, provinha da grande resistência e durabilidade da árvore.

Um antigo provérbio francês já dizia que para temperar 
muito bem uma salada são necessários "um avarento para pôr o vinagre, 
um generoso para pôr o azeite, um sábio para pôr o sal e 
um maluco para mexê-la"

Típica da região do Mediterrâneo, a oliveira (Olea europaea) é uma árvore de folhas perenes e pertence à família das Oleáceas. A árvore mede, em geral, de 4 a 5 metros de altura, mas pode ultrapassar 10 metros. O seu tronco é retorcido, o que resulta num aspecto peculiar e interessante, mas a longevidade da árvore é ainda mais surpreendente: pode viver por mais de 1.000 anos! As folhas, de coloração verde-escura por cima e acinzentada por baixo, são estreitas, lanceoladas, coriáceas e de bordas inteiras. Já as flores são pequenas, brancas e surgem em cachos durante a primavera. As flores têm os dois sexos e são autoférteis. O fruto, conhecido como oliva ou azeitona, tem formato ovóide e coloração verde no princípio, tornando-se arroxeado ou preto ao amadurecer. O tamanho e a forma dos frutos podem variar em função da variedade.

Os frutos só podem ser consumidos depois de processados, na forma de conserva ou de azeite. Em média, uma oliveira pode render 20 Kg de azeitonas e, para se ter uma idéia, são necessários cerca de 5 a 6 Kg para produzir 1 litro de azeite.
O cultivo da oliveira é feito principalmente na região mediterrânea, sendo que a Itália e a Espanha são os principais produtores, seguidos de Portugal, Grécia, Turquia e Tunísia.

A oliveira é relativamente rústica, capaz de adaptar-se aos mais variados tipos de solos, no entanto, a planta é exigente em condições de clima, que deve seco no verão e frio e úmido no inverno. Multiplica-se por estaquia e enxertia. Sabe-se que as mudas obtidas por sementes, na maioria dos casos, dão frutos de qualidade inferior, por isso são utilizadas apenas como porta-enxertos.
Por ser típica de climas temperados, há dificuldade de produção em locais de clima quente. O ciclo produtivo de uma oliveira tem início com 5 a 10 anos de idade, dependendo das condições de cultivo e clima.

Além de água, óleo e glicídios, o fruto da oliveira - a azeitona - contem numerosos minerais, especialmente cálcio, ácidos orgânicos, enzimas, vitaminas B1, B2 e PP e provitamina A. Seu poder nutricional é tão interessante, que em tempos remotos, na região do Mediterrâneo, a azeitona, juntamente com a cebola e o pão de centeio formavam a base principal da alimentação dos habitantes do campo.

Folhas da oliveira: potencial medicinal e emagrecedor


Os frutos da oliveira, já famosos há muito tempo, estão agora dividindo os holofotes com suas companheiras - as folhas da oliveira. Isso porque estudos têm demonstrado que elas apresentam inúmeras qualidades medicinais, além de serem ótimas aliadas para quem vive em luta com a balança. Chás e cápsulas preparados com a folha da oliveira podem ser de grande valor juntamente com a dieta para emagrecimento.

A folha da oliveira está sendo considerada tão poderosa, que muitos afirmam serem mais eficientes que o chá verde, quando o assunto é emagrecimento. Do ponto de vista nutricional, comparadas às folhas do chá verde (Camellia sinensis), as folhas da árvore da azeitona teriam quase quatro vezes mais potássio, magnésio, manganês, fósforo, selênio, cobre e zinco.

Pesquisas realizadas pela Universidade Metodista de Piracicaba mostraram que estes elementos são responsáveis pelo alto poder antioxidante das folhas, que estimulam o metabolismo ajudando na eliminação das gorduras, especialmente naquelas acumuladas na região abdominal. O consumo do chá, por exemplo, na média de três a quatro xícaras por dia, pode ajudar a pessoa a reduzir em até 10% sua circunferência abdominal, num prazo de dois a três meses. Logicamente, que combinando o consumo do chá com uma alimentação saudável, de baixas calorias e sem excesso de gordura.

Os benefícios do azeite de oliva já são bem conhecidos, mas só recentemente as virtudes das folhas da oliveira estão sendo estudadas: elas são ricas em vitaminas, fibras, sais minerais e ácidos graxos, incluindo o ômega 9 - que até pouco tempo se pensava existir apenas em alguns peixes. Além disso, a alta concentração de fibras das folhas auxilia a minimizar a prisão de ventre. As folhas apresentam concentração quase nula de cafeína, de forma que seu chá pode ser consumido por hipertensos, cardíacos e pessoas portadoras de gastrite.

Os estudos que estão sendo realizados com as folhas e ramos da oliveira apontam que seus princípios antioxidantes atuam na modulação dos radicais livres, fortalecem o sistema imunológico e aumentam a energia do cérebro. Por essa razão, são excelentes auxiliares na prevenção de doenças como esclerose múltipla, de Alzheimer e Parkinson.

As folhas da oliveira ainda são ricas em ácidos graxos ômega 3, 6 e 9; vitaminas A, E, B1, B2, B3 e B6, cobre, potássio, magnésio, manganês, sódio, fósforo, zinco e selênio.

Extrato de folhas de oliva pode reduzir colesterol e pressão

Um suplemento contendo extrato de folhas de oliva pode ajudar a reduzir a pressão e o colesterol de pessoas que estão prestes a desenvolver hipertensão, segundo estudo publicado na revista "Phytotherapy Research", em 2008. De acordo com os autores, as folhas da oliveira têm sido usadas desde os tempos antigos com propósitos medicinais, e novas pesquisas mostram que seu extrato tem propriedades antibacterianas, antiinflamatórias e antioxidantes. Em estudo com 20 pares de gêmeos idênticos no limite para hipertensão (entre o nível ideal de 120/80 e o de pressão alta de 140/90), pesquisadores suíços notaram que, após oito semanas, aqueles que haviam tomado suplemento de 1000 mg de extrato de folha de oliva por dia tiveram considerável redução na pressão - de 137/80 para 126/76 - e queda nos níveis de colesterol "ruim" (LDL). Aqueles que apenas receberam placebo não tiveram resultados significativos.

"E com um ramo de oliveira o homem se purifica totalmente." Virgílio, Eneida

Aqui no Brasil, o terapeuta holístico Cosmo Fernando Pacceta tem avançado com suas pesquisas a respeito dos poderes medicinais das folhas da oliveira. O resultado do seu trabalho, pioneiro no país, gerou o livro "Oliveira, muito além do azeite".

Segundo as pesquisas de Pacceta, dentre as potencialidades curativas atribuídas às folhas de oliveira, estão os poderes bactericida e antivirótico, além da melhoria de quadros cardíacos, artrites, estados gripais, distúrbios neurológicos e de aprendizagem.
Em seu livro, o pesquisador relata que, por milhares de anos, a planta era macerada e usada como ungüento para curativos. A melhora se dava em função de inúmeros componentes, entre eles a oleuropeína, os antioxidantes, os ácidos graxos ômega-3 e 6, vários sais minerais e vitaminas do complexo B.

Ainda segundo Pacceta, existem nas folhas 18 tipos de ácidos graxos, essenciais para o bom funcionamento do coração.
As folhas da oliveira estão sendo usadas em todo o mundo por médicos ortomoleculares e terapeutas holísticos como coadjuvante eficaz e seguro em várias formas de tratamento.

Chrysopogon zizanioides , comumente conhecido como vetiver e khus , é um capim pereneda família Poaceae

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